O Humor Como Antídoto para Lidar com as Intercorrências da Vida

Diante das intercorrências da vida, podemos observar dois tipos de sujeitos: um, que fica transtornado, irritado, agressivo, e julga-se a verdadeira “vítima” da situação – não aceita o acontecimento, resiste violentamente a ele, contaminando-se com emoções negativas, como a raiva e a reclamação.

  • Publicado em 10 de março de 2018

Diante das intercorrências da vida, podemos observar dois tipos de sujeitos: um, que fica transtornado, irritado, agressivo, e julga-se a verdadeira “vítima” da situação – não aceita o acontecimento, resiste violentamente a ele, contaminando-se com emoções negativas, como a raiva e a reclamação. O segundo tipo é aquele que parece ser dotado de um alto quociente de inteligência emocional – não resiste ao fato – simplesmente, e de “coração” o aceita, decide ficar tranquilo e encharca-se de emoções positivas, buscando abrir as portas para iniciar, a partir daquele instante, mais um importante processo de aprendizagem e amadurecimento.
Esse segundo tipo de sujeito é capaz de distanciar-se do incômodo, exorcizar sua fração “vítima”, e mergulhar intensamente na única realidade que existe, que é o agora. E com essa escolha, torna-se possível abalar positivamente as forças do universo, o qual passa a conspirar a seu favor.
O ingrediente básico para superar as dificuldades é conseguir e manter o bom humor, pois quando “rimos” dos obstáculos que se apresentam a nossa frente, liberamos uma poderosa energia, além de altos níveis de dopamina, o que passa a atrair tantas outras coisas boas, como se ocorresse magicamente um efeito cascata.
É a “galáxia” de prontidão para auxiliar o sujeito que se comporta como ator e autor de sua vida – sem dramas e com uma overdose de autonomia, liberdade e responsabilidade – a alcançar sua evolução pessoal.
O estado de “felicidade” ou “infelicidade” está literalmente em nossas mãos, somos nós quem permitimos ou não que sejamos felizes e, essa conquista é resultado de grande esforço, investimento e vigilância para “desconstruirmos” velhos padrões, rótulos, crenças e “construirmos” ideias inovadoras a respeito de que é possível erguer novos pilares para sustentar uma nova edificação.
Com humor, o sujeito transforma uma intercorrência negativa em uma maneira de aprender algo mais, uma brincadeira, uma experiência nova – um amadurecimento.
Para que resistir ao fato que se apresenta no presente?
Por que não baixar a guarda e encarar que se “aquilo” está ocorrendo, é por alguma razão – afinal, nada, absolutamente nada acontece por acaso. Pois, o que o sujeito tem em seu momento presente é resultado do que ele consciente ou inconscientemente atraiu para ele mesmo.
Tudo o que acontece em nossa vida tem uma razão – cada alegria, cada dor, cada conquista, cada fracasso, cada relacionamento, cada sorriso, cada lágrima tem sua explicação, por mais que não se consiga imediatamente decifrar, traduzir – tudo, tudo mesmo era para acontecer, cabe a nós acionarmos a “sabedoria” para atingirmos a “aceitação incondicional” dos fatos.
E quando o sujeito aceita, uma fantástica “onda de luz” vai abrindo caminhos para atrair mais e mais acontecimentos inéditos, inexplicáveis, orgásticos. É o poderoso momento de união, sintonia e harmonia entre o Universo e o Sujeito.
Nesse momento passamos a assumir o comando central de nossas escolhas, sem medos, sem culpas e sem onipotência. Nos tornamos responsáveis pela nossa existência.
Agora, permita-me compartilhar um momento ímpar, onde pude saborear, junto com uma grande amiga, a experiência de escolher ser “feliz” no meio de um “turbilhão” que nos surpreendeu e exigiu de nós uma importante escolha: ficar com raiva, reclamar e nos sentir a mais coitada das criaturas humanas, ou dar “a volta por cima”, minimizar o desabor e buscar entrar em contato com a experiência presente, aceitando o fato, sem resistências.
Foi uma semana de aulas de mestrado, longe de casa, fora de nosso cotidiano, dividindo o tempo entre vôos, hotel, sala de aula, metrô e inúmeras caminhadas. Sentíamos o cansaço a todo instante se fazendo presente, abalando nossa mente e debilitando o nosso corpo.
O desejo de no último dia voltarmos o mais rápido possível para casa, nos fez arriscar ir ao aeroporto às onze horas para tentar adiantar nosso vôo e, com isso aproximar de nossa realidade o retorno à família.
Quanta vontade de casa, de descanso, de família!
Depois de enfrentarmos uma hora de fila para a tão almejada meta, tivemos a triste notícia que não seria possível adiantarmos nosso vôo a não ser que pagássemos uma simples quantia de R$ 1.100,00 – que ilusão!
Eram doze horas e nosso vôo seria às 00h25min do dia seguinte.
Naquele instante, logo ascendeu o “sinal de alerta”, disparou o “alarme”, uma “pane” estava prestes a acontecer – o que fazer por doze horas num aeroporto, depois de uma semana de estudos e tamanho cansaço físico e mental?
Porém, estávamos em sintonia, eu e ela, e, vigilantes, logo abortamos todos os sinais que anunciavam uma possível “descompensação” e naquele instante questionamos: “temos duas opções: ficaremos intoxicadas de frustração e raiva por esta espera, ou iremos aceitar o fato com humor e sabedoria, sem nenhum grau de resistência”.
E, foi aí que demos partida às doze horas mais ricas e frutíferas daquela nossa existência – daquele “agora”.
Decidimos facilmente pela segunda opção e, mergulhadas num “oceano de humor” e escandalosas gargalhadas, fomos vivendo complexos e lúdicos momentos, naquele aeroporto, que se transformou num “parque de diversões”.
Tínhamos apenas doze horas para aproveitarmos e saborearmos cada instante que passaríamos juntas a espera de nosso retorno ao lar.
Iniciava ali, sem que soubéssemos direito, um ciclo que ficaria registrado em cada “célula” de nossas vidas.
O tempo tornou-se curto diante da grandiosidade de nosso estado emocional de paz, tranquilidade e humor. Era uma inexplicável sensação de bem-estar, de conexão com o agora, de calmaria do corpo e da mente.
Alimentamos nosso organismo com um saboroso lanche no Mcdonalds, cuidamos da vaidade indo ao salão e, desfrutamos de três horas esperando as unhas secarem, num clima inebriante de conversas terapêuticas, bem acomodadas numa confortável poltrona – sequer percebíamos que estávamos num salão, à conexão era tão intensa que só enxergávamos e escutávamos a nós mesmas.
Em seguida, fomos naturalmente guiadas a “degustarmos” de um novo ambiente, saímos e sentamos à mesa de uma lanchonete, para ler e debater sobre um livro que havíamos comprado no dia anterior.
Estávamos naquele instante, nós duas, sentadas uma de frente para a outra, lendo, debatendo, fazendo “links” com nossas histórias, tendo “insights” e “catarses” – parecia que estávamos sozinhas de tão conectadas àquele momento, ninguém existia, a não ser Eu, Ela e nossas vidas.
Que loucura! Que maravilha!
Numa onda de sorrisos e lágrimas fizemos retrospectivas, confidências, planos, compartilhamos nossos “eus”, sem receio de críticas ou julgamentos.
Estávamos prontas para viver tudo aquilo. Concluímos que “programamos” aquele momento, por isso tudo aquilo estava acontecendo. Precisávamos viver aquela experiência em sua totalidade.
Quando nos demos conta era hora de fazermos o check-in.
Como passou tão rápido àquelas horas?
Como era possível estarmos tão bem, sem cansaço algum e com uma incrível sensação de prazer e bem-estar?
E quando estamos bem, facilmente atraímos resoluções imediatas e positivas. E, mais uma vez comprovamos tudo isso.
Sabe como?
Ao entrarmos no avião nos deparamos com nossas poltronas exatamente na saída de emergência, onde tivemos o cuidado de, no check-in, solicitarmos ao funcionário para que não nos colocassem nelas, pois queríamos recliná-las para dormirmos mais confortavelmente durante o vôo.
O que fizemos nessa hora?
Se ficamos aborrecidas, chateadas ou nervosas?
Claro que NÃO! Estávamos hermeticamente fechadas para o estresse – rimos e dissemos que certamente aquele vôo estaria vazio e que logo poderíamos nos acomodar cada uma em três poltronas, como se fosse uma gostosa “cama” aérea.
E sabe o que aconteceu?
Óbvio, claro que aconteceu exatamente o que desejamos, afinal, todo o universo conspira para que o nosso desejo seja realizado.
Às duas horas e meia de vôo de São Paulo à Maceió nunca foram tão “supersônicas”, chegamos inteiras, felizes e descansadas para o reencontro com nossas famílias, com o nosso canto. Permitimos-nos viver tudo isso e ao A COR DAR, demos um novo “colorido” a nossa existência. Não éramos mais as mesmas. Fantasticamente diferentes, mais maduras, mais felizes.
Portanto, faxinemos os entulhos que ainda nos aprisionam a viver o presente e mergulhemos de “cabeça” nas aventuras do agora, sem nenhuma resistência.

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